Eu estava ciente da chacina no Rio, mas até então não tinha parado para ler, nem assistir, a nenhuma reportagem. Porém, teve um dia, enquanto meu avô assistia, nas alturas, a uma reportagem, que me aproximei, atraída pelos gritos de pavor dos alunos, e parei um instante para ver. Cheguei mesmo na hora em que o repórter chamava a atenção dos telespectadores para uma cena, onde um professor, mesmo diante do perigo de perder a própria vida, esvazia a classe, retirando todos os alunos, para somente depois correr e deixar o local da chacina.
Diante da situação em que vivemos nas escolas, este ato em nada me surpreendeu, pois quem trabalha nas escolas públicas de Natal, sabe da falta de segurança, e conhece a clientela que temos. Sabemos que temos alunos potencialmente capazes, revoltados, e às margens da sociedade, quesitos suficientes para fazê-lo entrar atirando em uma sala de aula, ao menor sentimento de insatisfação. Isso não é novidade pra ninguém que está inserido no contexto escolar.
Mas não estou aqui para falar da falta de segurança nas escolas, nem tampouco para lamentar o triste ocorrido, porque isso já é pauta de todos os assuntos na internet, jornais, revistas e rodas de amigos no Brasil. Estou aqui para falar sobre aquele professor, que eu vi, que se arriscou para salvar a vida de seus alunos.
Fiquei emocionada com a cena, pois conheço váááários professores que teriam feito a mesma coisa. Está no nosso consciente, quando estamos em sala de aula, somos responsáveis por cada uma daquelas crianças sob nossa tutoria. Ele poderia ter saído correndo para salvar a própria vida, mas não, ao invés de gritar "salve-se quem puder" ele decidiu ficar, tirar os alunos do local, e depois correr. Ele fez certo? Sinceramente não sei responder! A única coisa que sei é que exemplares como este estão todos os dias em nossas escolas públicas, quentes, superlotadas, e inseguras, se arriscando, e sendo desrespeitados por esses mesmos alunos que, em uma situação como esta, ele seria capaz de salvar. São verdadeiros heróis!
Me indigno ao ver o desrespeito (falta de valorização por parte dos governantes, a falta de autonomia, a falta de reconhecimento dos alunos e de suas famílias) com os professores.
E tenho certeza que o desmantelo social ainda não está pior graças a eles, que, mesmo diante de tanta ingratidão, não desistiram, ainda, do seu papel de educador e transformador.
Eles AINDA acreditam na mudança. Porém, não podemos abusar do otimismo desses profissionais, porque se atos como estes se tornarem frequentes, duvido muito que alguém queira ser "suicida".
Autor(a): Romeica Cristina (Educadora)

Fique por dentro de todas as novidades do sindicato. Cadastre-se no nosso informativo.
Em breve divulgaremos o horário de atendimento de nosso CHAT.

O Poder Judiciário fez justiça ao decretar a ilegalidade da greve dos educadores de Natal?
Sinte-RN
+55 84 3211 4434
Sindicato dos trabalhadores em
educação pública do RN
Av. Rio Branco, 790, Centro
Natal-RN