A principal pergunta que faço ao observar um parque infantil é: por que esse espaço não acompanha a diversidade e a dinâmica das brincadeiras infantis. Sendo o parque parte do currículo escolar, como são trabalhadas as atividades nesse espaço? Onde são construídas nossas casinhas, cabanas ou castelos? Para responder a essas perguntas, buscamos compreender quais são as diferentes partes que compõe os parques infantis e como é possível alterá-las para estimular brincadeiras mais ricas e dinâmicas, potencializadoras do desenvolvimento infantil.
Um bom parque infantil será diferente em cada região do nosso país, conforme a cultura local e as propostas educativas de cada escola.
É somente pelo uso que ele é transformado em um ambiente para brincar. E não só cuidar, mas participar junto com a criança enriquece a brincadeira, pois cabe ao adulto complementar a demanda da criança, oferecendo-lhes oportunidades de ampliar seu repertório, linguagem, estímulo motor, entre outras ações que compõe o currículo da educação infantil.
O espaço é sentido pelo homem mediante seus órgãos, sendo-lhe difícil situar-se e perceber o espaço sem a visão, a audição, o olfato e o tato. Embora a visão seja o órgão principal para a percepção espacial, os outros sentidos ampliam e enriquecem o espaço visual. O espaço da educação infantil, ao sugerir cheiros, sons, cores, texturas, cantos e recantos, cria o hábito, o gosto pela descoberta e pela pesquisa.
Aguçar os órgãos sensoriais possibilita novas experimentações sugere novos conhecimentos. Para pedagogia, esse ambiente é estimulador e a base para um projeto educativo infantil de qualidade.
Mas é o corpo o principal elemento da criança, é com ele que ela brinca, joga, experimenta sensações e desenvolve-se. O educador, ao compartilhar dessa concepção, medeia com maior facilidade às situações de aprendizado e as relações entre crianças e adulto/crianças. Nesse contexto possuir áreas para brincar com o corpo é privilegiar diferentes materiais.
O espaço é um dos fatores que influenciam o tipo de brincadeira.
Locais abertos são mais propícios a brincadeiras, jogos coletivos e corporais, enquanto ambientes fechado induzem a jogos com miniaturas, de tabuleiro e brincadeiras solitárias. Espaços integrados favorecem atividades coletivas e espaços segmentados geram espaços cada vez menores e mais funcionais.
As referências de espaço nos são dadas pelos vazios existentes entre os volumes construídos, pelas aberturas e vãos, pelos desníveis do terreno, pela vegetação etc. Limitar o espaço do parque a uma quadra ou a um gramado plano, é restritivo e pobre para desenvolvimento pleno da criança. Ter arranjos volumétricos que configurem espaços menores traz segurança e aconchego, sem limitar sua exploração.
A criança que brinca, experimenta, cria e recria tem maiores possibilidades de se desenvolver integralmente. E o espaço da escola, ou os ambientes educativos, quando bem planejado, influenciam positivamente o seu desenvolvimento.
Adriana Freyberger é pós-doutora pela USP e consultora do Instituto Brasil Leitor
Autor(a): Adriana Freyberger*

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