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23/02/2010 Saiu na imprensa

Escolas são prejudicadas pela falta de verbas

A greve dos professores, deflagrada na última quinta-feira, adiou por período indeterminado o início do ano letivo na rede municipal de ensino. Contudo, mesmo que os professores não decidissem pela paralisação, muitas das escolas não teriam condições de começar as suas aulas no último dia 18, como estava previsto no calendário. O motivo é uma série de atrasos no repasse de recursos para as escolas do Município. Além do atraso na verba para manutenção das escolas, o dinheiro necessário para a compra da merenda escolar também ainda não chegou na mão dos diretores e diretoras.

O dinheiro referente à manutenção das escolas – material de expediente, limpeza, pequenos reparos, etc – foi pago na última sexta-feira, segundo declarou o secretário municipal de Planejamento, Augusto Viveiros. O Sindicato dos Trabalhadores em Educação (Sinte) não reconhece o pagamento. “Não fomos informados”, diz Fátima Cardoso, diretora do Sindicato. Mesmo que o pagamento já tenha sido realizado, esse dinheiro é referente ao ano de 2009. E a falta do recurso causa uma série de dificuldade às escolas. Para completar, o recurso da merenda escolar ainda não foi recebido.

No Centro Municipal de Educação Infantil Amor de Mãe, localizada nas Rocas, a diretora Cecília Pinto é taxativa: mesmo que não houvesse greve, não haveria aula, a exemplo do que aconteceu na Escola Celino Pimental, nas Quintas. Motivo? Não há comida para os alunos, que passam o dia na creche e precisam de cinco refeições. “Não tenho como receber as crianças se não há como prover alimentação”, diz Cecília. Segundo informações do Sinte, nenhuma das escolas recebeu o valor devido da merenda escolar da parte do Município. No caso do CMEI Amor de Mãe, ainda há o entupimento no banheiro, vazamentos, infiltrações e etc. São detalhes que atrapalham o início letivo de qualquer escola.

É o caso da Escola Municipal Santos Reis. Com um prédio novo praticamente pronto para ser inaugurado, a Escola hoje é sediada no Grêmio Estudantil do bairro. O novo prédio foi terminado no ano passado e não é usado pelos alunos porque não há energia, segundo a diretora da escola, Linélia Albuquerque. Já o prédio atualmente utilizado está em estado crítico de conservação. “Se tivéssemos recebido o repasse em tempo hábil, poderíamos ter feito uma pintura, realizado alguns consertos, entre outras coisas”, diz Linélia Albuquerque. O novo prédio da Escola Santos Reis abriga apenas um vigia para tentar cuidar do patrimônio público. O que não tem surtido tanto efeito. É possível verificar, mesmo de fora, várias depredações. “O prédio está se acabando aos poucos”, diz a diretora.

Em outras escolas, a situação não é de urgência, principalmente porque os diretores equacionam o problema com a gestão dos recursos do ano anterior. “Temos condições de iniciar as aulas e daria pra segurar até um mês, caso não tivessem feito o pagamento. Depois de 15 ou 30 dias, iríamos parar. Mas gerindo os recursos do ano passado, deu pra segurar”, diz Ana Lúcia Horácio, diretora da Escola Laura Maia. A Secretaria Municipal de Educação tem abastecido as escolas de alguns produtos, como material de limpeza, por exemplo. “Tivemos dificuldades também com alguns projetos pedagógicos, mas levamos para a secretaria de educação e foi resolvido”, encerra Ana Lúcia.

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