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26/03/2010 Saiu na imprensa

Alunos sem aula em Taipú

A ausência de professores nas escolas estaduais do Rio Grande do Norte tem afetado cerca de 1,2 mil alunos somente em Taipú, município localizado a 50km de Natal. Na edição da última terça-feira (24) do Diário de Natal, a coordenadora geral do Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do RN (Sinte), Fátima Cardoso, havia anunciado que a falta de professores atingia 50% das escolas estaduais, prejudicando cerca de 125 mil estudantes, principalmente no interior do estado. Em Taipú, há três escolas estaduais e em todas elas o quadro de professores está incompleto.

A Escola Estadual Adão Marcelo Rocha é a única instituição de Ensino Médio no município e a falta de professores tem desistimulado os alunos que estão tentando se preparar para o vestibular. De acordo com o diretor da Adão Marcelo Rocha, João Batista Silva, a escola necessita de nove professores e muitas turmas estão assistindo aula apenas um dia por semana. "O problema já é antigo e Taipú não temestagiários para cobrir as disciplinas específicas, o ideal seria que se contratassem professores. Enquanto isso, estamos tentando moldar os horários dos alunos aos sete professores disponíveis e às disciplinas existentes. Estamos aguardando providências".

Vestibular

O aluno Fagner José Silva de Sousa, 17 anos, cursa o pré-vestibular e, até agora, só assistiu a aulas de português. "São duas aulas de português por dia e apenas em alguns dias da semana. Depois disso, a gente vai para a sala de computador ou volta para casa", conta. Para Fagner, a ideia de se ter apenas aulas de português é desistimulante e diminui as chances de conseguir prestar vestibular. "Com essa falta de professor, as chances para passarmos em um vestibular diminuem muito, porque a gente só aprende português e fica deficiente nas outras disciplinas. Minha turma ainda teve sorte, porque para quem estuda a noite aqui só tem aula um único dia". A mãe de Fagner, Francidalva Pereira da Silva, diz que essa situação vem desmotivando o filho air à escola para assistir aula. "Não é correto um aluno ficar todo dia vindo só assistir aula de português e todo ano acontece isso, mas se esse ano continuar assim a passagem dele do vestibular deve ficar comprometida", reclama.

Para o aluno Joselias Salviano Reinaldo, 16 anos, que também cursa o pré-vestibular, na mesma sala que Fagner, o ensino da escola é insuficiente para quem quer prestar vestibular ou qualquer concurso. "É um absurdo essa falta de professores, porque a gente termina o ano sem saber de nada. Eu fico tentando estudar em casa, mas sem um professor fica difícil. Quando terminar o ano eu vou para Natal fazer cursinho para aí então tentar o vestibular, porque quero ser advogado e, dessa forma, a gente não tem condições alguma de competir", reclama.

Ansiedade toma conta de crianças

Na Escola Estadual Joaquim Nabuco a realidade não é muito diferente. Várias turmas de 2º, 3º e 5º ano do Ensino Fundamental estão sem aula. Dos cerca de 444 alunos do 1º ao 9º ano, 54 estão em casa aguardando a chegada de algum professor. É o caso de Waltson Leonel Teixeira, 8 anos, que aguarda ansioso o início das aulas. A mãe do menino, dona Luciene, conta que ele passa o dia ajudando o pai no trabalho ou jogando videogame. "Estou pensando em mudá-lo de escola, porque ele tá sendo prejudicado, deixando de aprender para ficar o dia inteiro sem fazer nada", acrescenta.

Problema se repete na Joaquim Nabuco, onde várias turmas estão paralisadas
De acordo com o diretor da escola, José Maria Felismino, a escola tem sete professores, mas ainda necessita de outros seis. "Em Taipú tem estagiários de pedagogia capazes de ensinar a esses alunos, mas o problema é que a maioria deles está em débito com a universidade, porque a única que existe aqui é particular e a secretaria não cadastra alunos em débito", afirma.

Segundo ele, o problema da escola não se resume à falta de professores. "Em fevereiro de 2009 o muro da escola caiu e as galinhas ficavam invadindo o lugar e sujando tudo. Nós enviamos um ofício para a secretaria informando, mas até agora nada foi feito. Enquanto isso, improvisamos com uma tela para evitar que esses bichos fiquem invadindo", explica.

Na Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, os alunos estão sem professor de educação física desde 2004.

Reunião

A secretária de educação do município, Maria da Conceição Câmara, anunciou que irá promover uma reunião entre os diretores das escolas estaduais de Taipú para levar as ocorrências à secretaria estadual de educação ainda este mês e cobrar soluções. "Nós não temos condições de bancar as três escolas do estado pois os recursos que recebemos é exclusivamente para as escolas do município, mas a secretaria está disposta a ajudar com o transporte dos professores que não forem da cidade, como já vem fazendo".

O secretário estadual de educação em exercício, Otávio Augusto de Araújo, informou que precisa estudar o caso de Taipú, mas ele adianta que deverá tentar firmar uma parceria com a prefeitura para o transporte e cessão de professores ou estagiários próximos à cidade. "Estamos preparando um novo concurso para quatro mil professores, com previsão para acontecer em junho".

Quanto às inscrições para estágio, ele disse que iniciaram no dia 11 e vão até o dia 25. "Até 1º de abril estaremos encaminhando todos os estagiários, houve um atraso no processo de contratação dos estagiários devido à greve na educação", justifica. De acordo com o Sinte, o défict em todo o estado é de 2,5 mil professores.


Fonte: Diário de Natal, 26 de março de 2010.

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