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12/03/2011 capital

Fim da greve não garante volta às aulas

O fim da greve da rede municipal de ensino não garante a retomada imediata das aulas. A direção do Sinte-RN denuncia que muitas escolas não possuem infraestrutura necessária para receber os alunos ou há pendências administrativas por parte da Secretaria Municipal de Educação (SME).

Infiltrações, problemas na rede elétrica, alugueis atrasados, déficit de professores, atraso no repasse de verbas, falta de fardamento e merenda, são alguns dos problemas detectados pelo Sindicato dos Trabalhadores.

O Sinte-RN está fazendo um relatório para avaliar a situação de todas as escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). “Até o momento conseguimos informações sobre 56 escolas e 24 CMEIs e a situação é precária em todos eles”, Afirma Fátima Cardoso.

Das 56 escolas pesquisadas, 30 precisam de reforma geral e 26 de grandes reparos. Falta material didático como tinta, cola, cartolina e livros. “Esses materiais foram comprados ainda na gestão anterior. A atual gestão não comprou nada, nem sequer repassou os Recursos Orçamentários às escolas, que estão há 13 meses sem o dinheiro, que soma um total de R$1,8 milhão. A verba está retida pela Secretaria de Planejamento”, denuncia Fátima.

Outro problema apontado no relatório inicial do Sinte diz respeito ao déficit de professores, que está estimado em mais de mil profissionais. Esse número é apenas uma estimativa, baseado na quantidade de alunos matriculados em 2010 (52 mil), pois segundo a coordenadora do Sindicato, a SME não informou ainda o quantitativo das matrículas para 2011.

O Jornal Tribuna do Norte enviou equipe ontem a algumas escolas e constatou a veracidade das informações divulgadas pelo Sindicato. Em matéria tratando desse mesmo assunto o jornal relata:
 

Situação retrata o drama de cada dia nas salas de aula

Escola Municipal Professora Iapissara Aguiar de Souza (6º ao 9º ano e EJA) Conjunto Panatis 3 / Zona Norte

Os problemas da Iapissara Aguiar começam pela fachada. O letreiro com o nome da escola está incompleto. Mas é no interior do prédio que se encontram os maiores problemas: infiltrações, instalações elétricas com problemas, goteiras, carteiras quebradas, falta de merenda e de repasse dos Recursos Orçamentários, que estão atrasados desde meados de 2010.

A situação mais complicada é a da sala 7. E o problema aumenta a cada chuva forte que cai em Natal. Na tarde de ontem, a sala estava alagada. Como se não bastasse, a fiação do local está comprometida e exposta. “Em virtude do mau funcionamento da rede elétrica, em dias de chuva, as paredes da sala 7 dão choque. Imagine o risco que é manter uma crianças em um local como esse”, diz a diretora Aldeíse Pereira Barroso Costa. “No início da greve, nós decidimos não aderir ao movimento, mas infelizmente a falta de estrutura, de professores – temos um déficit de cerca de dez – dos ônibus para transportar os alunos levou-nos à paralisação das atividades”, lamenta o vice-diretor Jair Carlos.

A direção da escola informou que vários ofícios foram enviados para o setor de engenharia da SME, mas nada foi feito para amenizar os problemas da Escola Municipal Iapissara Aguiar.

Escola Municipal Nossa Senhora da Apresentação (Ensino Fundamental) Conjunto Alvorada IV / Zona Norte

O que hoje é uma escola, antes era um supermercado. Algumas improvisações foram feitas para tentar adaptar o prédio e receber os alunos. E não é difícil achar os improvisos: algumas ‘paredes’ foram feitas com compensado de madeira e isopor. Mas o que chamou a atenção foi a fiação elétrica. Em várias salas de aula, os fios estão expostos e bem próximo às carteiras. Alguns estavam encapados com fita isolante, sinal de que estavam descascados, um perigo para os alunos, principalmente na época de chuva, pois a maioria das salas de aula possui infiltração. Segundo o funcionário da escola, nos dias em que chove muito forte as crianças são dispensadas pois o pátio e as salas de aula ficam alagados.

No banheiro, as torneiras estão quebradas e o vaso sanitário serve de criadouro de larva de mosquitos. Alguns foram interditados porque há tempos estão quebrados. O cano da pia da cozinha está apoiado por um pedaço de madeira. Assim como acontece em outras escolas, na Nossa Senhora da Apresentação, a infraestrutura só não está pior porque os funcionários se unem para comprar telhas, tinta e fazer o que eles chamam de ‘maquiagem’. “Se a gente fosse depender da Prefeitura, o prédio já tinha caído”, disse um funcionário.

Escola Municipal Antônio Severiano (1º ao 9º ano) Conjunto Pirangi / Zona Sul

Os problemas da Escola Antônio Severiano não são tão aparentes como os encontrados nas escolas da zona Norte. Mas, basta olhar atentamente e conversar com o diretor Sérgio Roberto Araújo para descobrir que as aparências enganam.

Instalação elétrica precária, goteiras, infiltração, falta de carteiras e professores são alguns dos problemas da escola. “A diretora anterior conseguiu comprar algumas tintas e nós fizemos uma cota para pagar o pintor. Mas o material não foi suficiente para pintar a escola toda, tivemos que optar por alguns locais”, conta Sérgio Roberto.

A situação mais complicada é a quadra de esporte da escola. A placa de alumínio que cobre a quadra está cheia de furos e resulta em goteiras; e como o local não tem paredes, quando chove fica tudo alagado. “O professor de educação física brinca que vai dar aula de natação no inverno porque fica parecendo uma piscina”, diz o diretor.

Ele disse ainda que a escola tem déficit de professor de história e inglês. Ao todo são 32 professores para 480 alunos.

Escola Mun. Prof. Carlos Belo Moreno (Educação Infantil e 1º ao 5º ano) Neópolis / Zona Sul

Nessa escola o problema começa pela cozinha. Sempre que chove o cômodo alaga devido às infiltrações no telhado. Sem contar com o problema do sumidouro, que quando está cheio leva a água servida para a cozinha. O parquinho, intitulado Cantinho da Alegria, por pouco não causou nenhum acidente. Devido à falta de manutenção, o cupim comeu o madeiramento. Com isso os funcionários foram obrigados a desmontar os equipamentos que sobraram. Os restos de madeira estão à espera do setor de engenharia da SME, que ficou de providenciar o conserto, mas até agora não o fez.O laboratório de informática é outro problema. A sala que acomoda os dez computadores possui dois condicionadores de ar. O detalhe é que todos esses equipamentos não podem ser utilizados juntos. “Se a gente liga os computadores e o ar condicionado, a rede elétrica não suporta e falta energia. A solução foi abrir as portas e janelas da sala nos dias da aula de computação”, diz um funcionário que não quis se identificar.

A quadra de esporte também não está em boas condições. Uma parte da cobertura de alumínio está começando a se soltar. Nos dias de chuva fica impossível deixar as crianças no local. A quadra vira uma grande poça de água. Além disso, a escola sofre com infiltrações, falta de lâmpadas e de carteiras. “A diretora já entrou em contato com a SME várias vezes, mandou ofício e nada.

 

(Com informações de: www.tribunadonorte.com.br

 

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  • 1 comentários para "Fim da greve não garante volta às aulas"
    1. Giuliana Pinheiro 14 de março de 2011 @ 07:36

      Vamos convidar oficialmente a promotora da educação e demais magistrados que estão envolvidos na determinação de ilegalidade da greve para comparecer as escolas acima citadas...

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