A prefeita de Natal, Micarla de Sousa, sancionou uma lei que trata da conscientização dos estudantes sobre a obesidade. Essa seria uma boa iniciativa da administração municipal se não fosse contraditória. Enquanto a prefeitura do Município diz que os professores devem educar os alunos sobre cuidados com a alimentação, a carência de merenda escolar de qualidade permanece.
Para a coordenadora geral do Sinte, Fátima Cardoso, essa é mais uma decisão tomada sem se pensar em sua viabilidade. “Como é que se cria uma lei como essa se não existe compatibilidade entre ela e a merenda escolar ofertada ao estudante?”, questiona.
A direção do Sinte fez um dossiê sobre a Educação Municipal e, no item alimentação, constatou que 50% das escolas recebem a merenda do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE). As demais instituições recebem a alimentação pela Secretaria Municipal de Educação (SME).
No entanto, a prefeitura não tem feito o devido monitoramento da qualidade da comida. A merenda nem sempre tem o valor nutritivo mínimo necessário para os estudantes e não há regularidade nas visitas feitas por nutricionistas nas instituições. “O que a Prefeita deve fazer é dotar as escolas de profissionais e mudar a qualidade da merenda. Quando isso tiver sido feito, aí sim, teremos capacidade de conscientizar os alunos sobre a boa alimentação.”, disse a coordenadora.

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