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02/06/2011

Velloso veio, viu, mas não venceu, nem convenceu

Leilton Lima*

O Governo Rosalba jogou pesado na audiência pública que tratou da Lei de Responsabilidade Fiscal, realizada terça-feira(31), na Assembleia Legislativa. O Estado bancou a vinda ao Rio Grande do Norte do ex-secretário de assuntos econômicos do Governo Collor, Raul Velloso — assim mesmo com dois “eles” igualzinho ao seu patrão presidente.

Velloso é conhecido como “o homem de uma nota só”. Ele é especialista em falar sempre a mesma coisa quando o assunto é “Gastos Públicos”. Para ele, cortar despesas é igual a cortar investimentos sociais. Trata-se da já caduca teoria do Estado Mínimo, cuja prática causou quebradeira geral em vários países inclusive no Brasil das eras Sarney/Itamar/Collor/FHC.

Um dos métodos de convencimento adotado por Velloso é nosso velho conhecido: esconder-se atrás da Lei de Responsabilidade Fiscal(LRF), para tentar convencer a sociedade de que os investimentos em serviço público “é coisa do mal”. Os servidores? Merecem mesmo ver o Governo somente pelas costas. Nada de reajuste, nada de cumprimento de Lei de Planos. Nada de nada.

E ele disse a que veio. Fez assombro. Disse que a situação do RN “é uma da piores do País”, que aqui há excesso de “gastos” com pessoal e lembrou que a Governadora pode ser punida se infringir a famosa LRF. Nada de novo.

O que ele não disse é que a LRF não é um monstro tão feio assim. O governante pode sim, atuar com bom senso em favor do serviço público sem correr os riscos que eles querem fazer crer. A Lei prevê punições ao chefe do Executivo somente em casos extremos. Até hoje no Brasil ocorreram apenas aplicações de multas que não ultrapassaram R$ 20 mil. E olha que foram para casos de descumprimento das medidas de transparência ou de gastos de 70% da receita sem nenhuma medida de recuperação.

A correção da inflação aos salários dos servidores é prevista na Constituição e pode ser concedida mesmo que ultrapasse os limites da lei, sem punições ao gestor público. Quer mais? Gastos com pessoal para aumentos de salários, além dos 54% permitidos por lei, podem ser recuperados no prazo de oito meses, sem punições. Ou seja, a Governadora não vai por o pescoço na forca se atender as reivindicações agora. Basta usar o prazo dado pela Lei para adequar as contas do Estado à nova realidade.

Se a Lei não proíbe e a arrecadação do Estado bate recorde a cada mês, então para onde vai esse rio de dinheiro? Ao que parece, estamos assistindo ao velho filme no qual a verba que deveria ser usada, por Lei, para corrigir o salário dos servidores é direcionada para patrocinar as grandes obras visíveis aos olhos eleitorais e saciadoras da sede inesgotável de lucro dos patrocinadores das campanhas eleitorais.

Velloso veio, viu, mas não venceu, nem convenceu.

*Leilton Lima é assessor de comunicação do Sinte-RN
 

  • Tags: Lei de Responsabilidade Fiscal, Greve
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  • 3 comentários para "Velloso veio, viu, mas não venceu, nem convenceu"
    1. Luiz Carlos 27 de junho de 2011 @ 21:26

      assim ele deve ter feito o mesmo curso da professora amanda gurgel já que a mesma só tem uma nota

    2. Ieda Cândida 09 de junho de 2011 @ 12:03

      Quero só lembrar que essa tchurma que tá aí no poder, teem o dom de iludir, e nosso povo, ó, de se enganar, mas não me engana não!

    3. Januncio 02 de junho de 2011 @ 12:43

      Parabéns pelo comentário sensato e equilibrado, esclarecedor de que o que existe no RN é desvio de recursos públicos.
      Gostaria de acrescentar que o Estado ou o Município que provar que não tem recurso para pagar o Piso o Governo Federal complementa, mas o dificio é provar que não tem dinheiro para essa finalidade.
      Um abraço, Januncio.

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