Oziel de Medeiros Pontes
04 de março de 2010 @ 23:14
Vou continuar lutando
Francamente, espero que este comentário possa ser lido por alguém, pois, na greve passada, a censura do sindicato não permitiu outros que fiz. Afinal, estamos ou não numa democracia e os sindicatos devem ser livres ou ditatoriais e castradores de opiniões?
Penso que, agora, deveríamos estar mais preocupados com as estratégias da greve do que se ela deve ou não acontecer. Portanto, apesar de ter votado a favor para não dar campo ao adversário, confesso que esta enquete não tem razão de ser. Primeiro, porque as greves do Estado e do Município já foram decididas, e, ao que parece, a maioria presente confirmou esta intenção. Então, por que está insegurança agora? Segundo, estes votos aqui podem vir de todos os lados, inclusive pessoas ligadas diretamente ao Governo do Estado ou a Prefeitura já devem estar votando. Aliás, se eu fosse a governadora ou a prefeita, mandaria meus assessores e funcionários de confiança montar um plantão de comentários.
Outro ponto importante: por que a cúpula do sindicato tem dois pesos e duas medidas em relação à greve do Município do Natal (RN) e à do Estado do RN? Claramente, percebe-se a indisposição de nossos dirigentes sindicais em enfrentar a Prefeitura da nossa cidade, ao passo que, no Estado, devido ao fato do PT estar coligado ao PSB da governadora, faz de tudo para evitar ou mesmo interromper este movimento. Não deveria ser assim, pois os dirigentes sindicais, antes de serem comprometidos com os seus partidos políticos, devem estar integrados aos anseios e necessidades da classe que representam. Acredito mesmo que, embora isto não esteja muito claro, esta enquete deve ser mais em relação à greve do Estado. Isto fica claro tanto quanto o posicionamento dos nossos dirigentes sindicais durante a primeira reunião que deflagrou a greve no Estado. Na ocasião, ficou patente que, se não fosse os professores que exigiram, a intenção da cúpula era de não começar o movimento. Foi desta mesma forma em muitas greves, algumas das quais foram encerradas sem a consideração dos interesses da maioria, presente nestas reuniões. Não é por acaso que o movimento sindical já não desperta mais o interesse na maioria da classe de professores. Muitos deles, sequer vão mais as reuniões e tem ódio quando se toca no nome do SINTE (RN). Neste sentido, infelizmente, o nosso sindicato tem demonstrado uma fraqueza e pouca iniciativa de mobilização nas últimas greves, o qual se defende pondo a culpa na falta de participação dos docentes. Aliás, o triste de tudo é saber que, para uma elite que não sabe nem mais o que é uma sala de aula, é fácil culpar professores "alienados" pelo que está acontecendo, não enxergando a "trave que se encontra em seu próprio olho".
E mais, devemos temer também, mais do que a ditadura da minoria, a ditadura da maioria, e isto fica visível em querer opiniões nesta enquete para fundamentar um desejo antigo. Por aí, muitas maiorias esmagam minorias pelo simples fato destas últimas pensarem e/ou agirem diferente. Parece-me que, aqui, a intenção seja exatamente esta. Para completar, só falta não publicar este desabafo.
Por fim, o que mais me entristece e me anima ao mesmo tempo - e eu votei a favor deste movimento e estou participando - é perceber a utilização da imagem do professor apenas com o interesse político-eleitoral. Ora, antes gozando de dez salários mínimos e de status igual à de um ministro da República, o professor hoje tem que se contentar com jornadas elevadas, salários aviltantes e a falta de respeito por parte de toda a sociedade. Para completar este quadro, o salário dos iniciantes policiais militares, bombeiros e policiais civis irão para R$ 3.500,00 daqui a seis meses, revelando a prioridade maior com a segurança em relação à educação. Concordo até que os militares devam ganhar bem, mas não que o professor ganhe tão mal. Nos países desenvolvidos e em alguns emergentes, o Ensino Fundamental e Médio são mais valorizados do que o Superior. Aqui, temos que nos acostumar com o que temos e torcer para que publiquem os nossos lamentos. Não sou vidente mais dá até para ver o fim deste movimento: algumas migalhas vão se somar ao pouco que possuímos, algumas delas "para inglês ver", ou melhor, "para professor ver". Lamentável, mas vou continuar lutando.
(Esta ainda está melhor ortograficamente do que as outras duas que mandei).
Resposta enviada em 20 de março de 2010 @ 22:36
Oziel, tenho discordância do seu texto, quando você faz a mistura da política com o movimento dos trabalhadores. O nosso Sindicato não é utilitarista, pois se olharmos a sua história veremos que os professores no exercício do seu legítimo direito têm concorrido a candidaturas dos diferentes partidos. Tem os candidatos históricos do PSTU, PMDB, PPS, PMN, PV, DEM e assim de outras siglas. Pergunto amigo, esses professores são usados? Outro questão que gostaria de refletir com você, sem conduto deixar nenhuma dúvida sobre este relato. Veja Oziel, qual a categoria quem tem obtido ganhos maiores que os nossos? Em todo país as conquistas estão no mesmo patamar do Rn. Tem sindicatos que são orientados por concepção não Cutista e não tem sido diferente. Veja os bancários, veja o SindSaúde, Sinsenate enfim nenhum foi superior na sua luta. Nenhum teve maior ganho, que o nosso Sindicato. Outra análise Oziel,A sociedade tem nos respeitado e muito. Entendo que o que você quer externar seja a maioria dos homens e mulheres não sabem canalizar seu potencial em defesa de direitos sociais, ainda que conquistados pela via da constituição brasileira. Um grande abs Fátima Cardoso