O Brasil inteiro está mobilizado pelas eleições que ocorrerão daqui a pouco mais de sessenta dias. Em breve, os(as) brasileiros(as) escolherão presidente da República, governadores(as), senadores(as), deputados(as) federais e estaduais.
Para refletir sobre esse tema,
recorro ao conceito de leitura de mundo, desenvolvido pelo mestre Paulo Freire.
Essa leitura vai além da alfabetização formal. Ela pressupõe compreender quem
são os(as) candidatos(as), sua trajetória de vida, de que lado estiveram ao
longo de sua atuação pública, qual é sua origem, quais interesses representam e
quais práticas defendem.
Trata-se de uma leitura que
analisa, reflete, contextualiza e questiona. É uma leitura rigorosa sobre a
realidade, a geopolítica e a política como instrumento de transformação social,
compreendendo as concepções que orientam cada partido e a forma como essas
ideias se traduzem em práticas.
Essas são referências que um
eleitor politicamente alfabetizado deve considerar antes de fazer sua escolha.
Esse eleitor questiona, analisa o contexto e constrói um julgamento
fundamentado. Já o analfabeto político tende a escolher seus candidatos sob a influência
de vereadores(as), prefeitos(as), deputados(as), senadores(as), familiares ou
amigos(as), sem desenvolver uma reflexão crítica sobre o voto.
O analfabeto político não tem
consciência do poder transformador do seu voto. Não se compromete com um
projeto de sociedade e renuncia à possibilidade de contribuir para a construção
de um país mais justo por meio da escolha de seus representantes. Com isso,
prejudica a si mesmo e a toda a sociedade quando elege pessoas que atuam na
política para defender apenas interesses particulares ou de grupos específicos.
E nós, profissionais da educação,
como atuamos nesse contexto eleitoral? Somos considerados(as) intelectuais em
razão da nossa formação e, por isso, espera-se que tenhamos consciência da
importância de escolher bem e defender os interesses coletivos. Estamos
participando desse debate ou o ignoramos nas conversas do dia a dia, na sala de
aula, entre amigos(as), ou até mesmo quando afirmamos que não gostamos de
política?
Seja por ingenuidade ou por
conveniência, nós, profissionais da educação, não deveríamos votar sem
reflexão. Votar em troca de favores é um dos maiores equívocos políticos de
um(a) cidadão(ã), pois contribui para a manutenção de estruturas de poder que fortalecem
as elites e ampliam o poder daqueles que, muitas vezes, atuam contra os
interesses da classe trabalhadora.
Nas eleições de 2026, podemos
ampliar a representação das mulheres e dos(as) professores(as) nos parlamentos
e demais espaços de decisão, tanto no cenário nacional quanto no estadual.
Podemos defender os interesses coletivos da classe trabalhadora, contribuir
para mudanças no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas e evitar
eleger quem nunca defendeu a educação pública nem a valorização de seus
profissionais. Está em nossas mãos construir essas alternativas.
*Texto escrito por Fátima Cardoso – professora, pedagoga, especialista em Educação e diretora de Comunicação do Sinte-RN.