A mobilização dos educadores de Natal chegou à Câmara Municipal nesta sexta-feira (21), um dia depois de dirigentes do Sinte-RN ocuparem a sede da Prefeitura para cobrar uma audiência com o prefeito. O novo acampamento teve como objetivo pressionar o Executivo e ampliar a interlocução em torno das reivindicações da categoria, que está em greve desde 3 de agosto.
Como resultado da mobilização, o Sinte-RN participou de uma audiência com a vereadora Nina Souza (PL). Durante a reunião, a direção do Sindicato apresentou a pauta de reivindicações e discutiu os principais pontos que estão no centro da greve, entre eles o reajuste de 4,6% para 2026, a unificação das carreiras e as condições de funcionamento das escolas e CMEIs.
A categoria também reivindicou da parlamentar uma mediação junto ao Executivo municipal para que o Sindicato possa ser recebido pelo prefeito. A expectativa é que a interlocução contribua para a abertura de uma negociação direta com a categoria.
A vereadora se comprometeu a atuar como ponte entre o Sindicato e o Executivo e afirmou que buscará construir esse contato com o prefeito. Também colocou seu mandato como canal de diálogo com o Sinte-RN.
Reajuste de 4,6% entra na discussão
Durante a audiência, o Sinte-RN explicou os critérios que fundamentam a reivindicação de 4,6% para os educadores em 2026. O Sindicato apresentou a defasagem salarial acumulada pela categoria, estimada em 60%, e defendeu a necessidade de que o Município avance na recomposição dos salários.
A vereadora informou a Prefeitura deve realizar um estudo de impacto financeiro para discutir a possibilidade de concessão dos 4,6% ou de um percentual neste ano.
Unificação das carreiras
A unificação das carreiras também foi discutida na audiência. O Sinte-RN defende a medida como parte da pauta da categoria, e a vereadora afirmou ser favorável à unificação.
Como encaminhamento, foi sugerida a elaboração de uma minuta de unificação das carreiras. A proposta é que o documento sirva como ponto de partida para a discussão com o Executivo municipal.
Situação das escolas e CMEIs
O Sinte-RN também apresentou à vereadora fatos e relatos sobre as condições de funcionamento das unidades da Rede Municipal de Educação.
Entre os problemas apontados estão a falta de materiais de limpeza, infiltrações e outras situações que comprometem o funcionamento total ou parcial de escolas e CMEIs. A direção do Sindicato relatou ainda situações envolvendo professores impedidos de acessar as cozinhas das unidades.
Diante dos relatos, a vereadora solicitou ao Sinte-RN a elaboração de um dossiê com informações sobre a situação dos espaços. O documento deverá ser utilizado em uma eventual audiência com o prefeito.
Sindicato cobra diálogo direto com o prefeito
A direção do Sinte-RN explicou que mantém diálogo com a Secretaria Municipal de Educação, mas que a própria SME afirma ter limites para avançar nas negociações. O Sindicato também relatou que o movimento grevista foi judicializado pelo Município e, diante desse cenário, a direção defendeu a necessidade de uma audiência direta com o prefeito para discutir a pauta e construir encaminhamentos.
A escolha da vereadora como interlocutora considerou, entre outros aspectos, sua atuação política, sua trajetória como professora aposentada e filiada ao Sindicato e sua proximidade com o Executivo municipal.
Ao longo da reunião, o Sinte-RN reforçou que a expectativa da categoria é que a mobilização resulte na abertura efetiva de uma negociação.
“Natal vai começar a reparar a dívida com quem estava e com quem está chegando. Queremos poder dizer isso para a nossa categoria”, afirmaram dirigentes do Sinte-RN durante a audiência.
Mobilização continua
Ao avaliar a reunião, o Sinte-RN considerou que houve avanços na interlocução e que foram apresentados encaminhamentos mais concretos para pontos da pauta. O próximo passo é acompanhar a mediação junto ao Executivo e cobrar a realização da audiência com o prefeito.
A reunião, no entanto, não encerra a mobilização. Os educadores permanecem em greve e seguem organizados para cobrar respostas às reivindicações.
A assembleia em 24 de agosto (segunda-feira), às 14h, integra o calendário de mobilização da categoria.