Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública do Estado do Rio Grande do Norte
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Sinte-RN
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Por uma Pedagogia Sustentável*

08 de setembro de 2026 às 11:17

Que pedagogia praticamos na escola com nossos estudantes? Já nos perguntamos, no horário do planejamento, qual é o grande desafio no preparo intelectual dos(as) estudantes neste século XXI? Já pensamos o meio ambiente como um campo de estudo sustentável para a educação? Falo de meio ambiente sustentável considerando a dimensão política, cultural, educacional, filosófica e sociológica que ele representa para esta geração e para as gerações futuras.

O ambiente sustentável na escola consiste em pensar um legado humanitário para as futuras gerações e no compromisso que esta geração pode assumir na adoção de políticas humanas que possibilitem aos grupos sociais se reconhecerem em um mundo sem competitividade e empreendedorismo, sem que haja a destruição da mística humana, sem retirar a possibilidade de o sujeito que vive na Terra ser da Terra. O que precisamos é extirpar a corrente econômica do neoliberalismo como corrente de domínio e pensamento na sociedade e no mundo. É na escola que acontece esta formação.

O novo Plano Nacional de Educação (PNE), em seus objetivos, recuperou o tema da sustentabilidade como uma proposta de que educar no século XXI é mais do que desenvolver o cognitivo do estudante. É, acima de tudo, ensinar a leitura de mundo, seus processos de construção e suas perspectivas, para se ter um outro mundo possível.

Não se pode mudar o mundo se não mudarmos as pessoas, as noções, as culturas, se não tivermos respeito à sua soberania e autonomia. Se não educarmos o homem e a mulher de hoje mediante princípios de vivência no mundo, todo o capital humano poderá ser destruído no planeta. A escola pode ser este instrumento que irá pensar não só a sustentabilidade, mas também os comportamentos sustentáveis.

Pensar uma pedagogia sustentável para o ambiente social é despertar nos estudantes a condição de pensar uma sociedade igualitária, civilizatória, que congregue a humanidade e sua humanização. É adotar questões estratégicas para diferenciar uma sociedade que se define pelo individualismo e pela exploração e opressão de indivíduos que não tiveram as mesmas oportunidades de uma sociedade que busca a equidade.

Um ambiente sustentável econômico, cuja economia planetária não seja marcada pelo domínio entre os povos. Um ambiente cultural em que a cultura não materialize o poder econômico como divisor social, mas seja instrumento de construção de vida, atribuindo bens culturais a toda a humanidade. Um ambiente político que nos leve a pensar as relações humanitárias e a descartar o poder político vinculado a interesses de classes.

Falando agora do meio ambiente sustentável, como um termo usado para se referir ao uso consciente e à conservação dos recursos naturais renováveis para as futuras gerações, o grande desafio é garantir que a atividade humana não comprometa a qualidade de vida e as necessidades das próximas gerações. Tudo parece utopia. Já diz o poeta: “nada do que foi será...” O mundo não é. O mundo será, com a nossa construção e com a crença de que iremos construir um mundo para que esta geração e as futuras continuem o processo civilizatório que esperamos.

Boa pedagogia na escola, na sociedade e nas nossas vidas.

(O que me inspirou a esta escrita?! A vontade e o desejo de contribuir com processos metodológicos que despertem, no interior da escola, uma análise da BNCC e de sua visão de conteúdos impostos a serem cumpridos, sem, contudo, relacionar o trabalho ao conhecimento, e por tratar o educando como futuro trabalhador, e não como sujeito integral. São conceitos diferentes e opostos.)


*Texto da profa. Fátima Cardoso - 

diretora de Comunicação do Sinte-RN.