Estamos vivendo um momento eleitoral no país e no estado.
Esse processo nos diz muito. Em tempos sombrios vividos por seis anos, tivemos ataque à cátedra, censura de livros, escola cívico-militar e a polarização ideológica de muitas famílias nas nossas escolas.
Pois bem, tudo isso foi feito com base no pensamento autoritário e conservador de um dos maiores celeiros, que são os Estados Unidos.
Recentemente, lendo um artigo, fiquei compelida a repassar alguns elementos de como a extrema direita atua a passos largos, pulverizando todos os estados, com legislações contendo o mesmo princípio: censurar livros acadêmicos, desde a educação infantil ao ensino superior, e monitorar professores que indicam livros não aprovados pelo comitê de censura.
São retirados das bibliotecas.
Somente em 2025 foram retirados das escolas 6.588 títulos de livros, retirando dos estudantes o conhecimento universal.
O controle do Estado representa um poder ideológico que prepara estudantes para uma visão conservadora e dominadora de culturas e países dependentes dos Estados Unidos.
O pior é que esta censura chegou aos legislativos, com leis aprovadas dizendo qual tipo de livro deve ser adotado pelas escolas públicas.
Essa posição da extrema direita dos EUA dialoga com a legislação federal, estadual e municipal no Brasil.
A escola sem partido foi um grande retrocesso na nossa democracia e no papel social da escola.
No Paraná, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Sul, este conceito se espalhou como uma febre, retirando o poder do professor de exercer sua liberdade de ensino, como prevê a nossa Constituição.
Em nível de estado (rede de ensino), temos a Lei da Escola Democrática, do deputado Francisco do PT, que se contrapõe à lei da mordaça, como é conhecida nacionalmente a lei de Bolsonaro, Escola Sem Partido.
Em vários municípios tivemos que fazer lutas intensas para impedir e derrubar leis desta natureza. Acreditamos que, se tivesse continuado o retrocesso neste país, certamente estaríamos sendo definidos pela lógica dos EUA.
É bom refletir, principalmente com as eleições às nossas portas.
Precisamos avançar no Congresso Nacional, não votar na direita e extrema direita e não nos entregar aos ditames desta cultura perversa, conservadora e sem volta.
Não é sobre quem está candidato(a), é sobre quem você escolhe, como profissional que quer ter liberdade, não quer que ninguém vigie o que está fazendo e como está fazendo em sala de aula e na instituição escolar.
Temos a obrigação de esclarecer aos colegas e às famílias o que representa esta polarização política e como devemos compreender quais os efeitos produzidos pelos Estados Unidos em países em desenvolvimento, os quais confluem para um processo de dominação econômica, social, cultural e política.
Os Estados Unidos não deixam que os livros cheguem às suas escolas, assim como não deixam de fazer das nações pobres seus dependentes e ditar qual é a ideologia de quem os serve, senão de colonizá-los.
Quanto mais nos omitimos, mais espaço ganha a extrema direita e a direita, alcançando seus objetivos.
A hora é essa: sem censura aos livros, mas fazendo as escolhas certas neste cenário de disputa.
*Texto da profa. Fátima Cardoso - diretora de Comunicação do Sinte-RN.